18h04 - Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Um misto de dor e alívio.

01/Nov/06 - 171 v.

O episódio que estamos vivendo neste momento é o último capítulo de uma longa novela que começou lá pelos anos 80; a história do jovem que se deixou dominar pela droga que considero das mais perversas, que é o álcool, acessível, barata, permitida, altamente estimulada pela sociedade. Nos últimos quinze anos, meu filho Paulo passou por um verdadeiro "calvário" de internações em casas de recuperação e hospitais, fugas desses locais, quando passava dias e semanas vagando por estradas, até aparecer em algum lugar, ser recolhido por alguma alma caridosa, para recomeçar novo tratamento. Os vários recomeços o privaram do convívio social. Amigos e familiares foram ficando distantes, tanto fisicamente como no tempo. Ele perdeu o "trem da sua geração" e foi ficando cada vez mais solitário. O organismo debilitado pelo abuso do álcool e a diabetes, provocaram um processo de lenta mutilação das extremidades. Sentindo-se perdido, foi aumentando a dependência do álcool, num processo contínuo de suicídio lento. Os esforços e tentativas de recuperação que sempre tentamos colocar a disposição dele não surtiram efeito. Perdemos a guerra ! O sentimento que tive ao receber a notícia da morte, foi um misto de dor, pela perda do filho e de alívio, ao vê-lo libertado do sofrimento. A perda da vida é irreparável, mas gostaria que não fosse em vão. Talvez possamos achar uma forma de usar essa história para uma reflexão de nossa juventude, sobre o enorme perigo a que se expõem ao seguir aparentes inofensivos padrões e modismos de culto à bebida. ** O autor é Sérgio dos Santos Correa, Governador do Rotary - Distrito 4650, residente em Blumenau que perdeu nesta semana seu filho de 43 anos.
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